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	<title>mulherzinhanews.com &#187; opinião</title>
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	<description>Mulherzinha News</description>
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		<title>Artigos: De volta ao passado?</title>
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		<pubDate>Fri, 21 May 2010 02:03:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elaine</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Resende]]></category>
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		<description><![CDATA[* Por André Resende
Para a atualidade de algumas ideias de Karl Marx, é primordial a exigência que não se repita o modelo de Estado, política, economia e sociedade do socialismo bolchevista e stalinista que existiu na União Soviética, países alinhados, e ainda persistente na África, Ásia e América Latina. Todo debate em torno da análise [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>* Por André Resende</p>
<p>Para a atualidade de algumas ideias de Karl Marx, é primordial a exigência que não se repita o modelo de Estado, política, economia e sociedade do socialismo bolchevista e stalinista que existiu na União Soviética, países alinhados, e ainda persistente na África, Ásia e América Latina. Todo debate em torno da análise de Marx à sociedade capitalista em plena expansão no Século XIX e seus cenários de futuro não podem manter-se se, antes, não houver um acordo: que o modelo bolchevista e stalinista não se repita.</p>
<p>Em alusão aos vinte anos da queda do muro de Berlim e a retomada socialista na América Latina, um grupo de filósofos liderado por Slavoj Zizek e Alain Badiou se reuniu em Londres para debater a ideia do comunismo. Se a alusão veio com a festa e reflexão sobre a queda do muro e o fim da cortina de ferro, é claro que o pretexto para um encontro como tal também tem a ver com a crise econômica que sacudiu a economia mundial, demolindo as estruturas dos centros econômicos nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Desta vez, os aviões não eram de verdade. E os terroristas estavam confortavelmente instalados na elite internacional com influência nos governos. Não pertenciam a nenhuma organização secreta. Muito ao contrário: lideravam organizações com princípios institucionais e sociais de transparência de informação e mobilização, representantes de fundos de pensão, governos, empresas e cidadãos.</p>
<p>Como a responsabilidade recaiu no sistema financeiro, a questão encobrindo a reflexão sobre a ideia do comunismo é apenas uma: saber se o Estado pode garantir o equilíbrio da economia e amparar as desigualdades. Não pode. As nações se formam com base em Estado, sociedade civil e mercado. Que Estado e mercado sejam ricos e costumem costurar alianças, enquanto a sociedade civil é pobre e politicamente desorganizada, foi uma marca e modelo político do Século XX. Continuará? A iniciativa de um ou outro governante propagar que a solução vem pela liderança do Estado-pai, não passa de perfumaria em benefício próprio com custos sociais pesados para todos.</p>
<p>Tão logo a URSS acabou, o historiador Eric Hobsbawn sinalizou a presentificação de apenas uma ordem mundial como perigo histórico. Não era uma proposta de retorno aos equívocos e atrocidades do “comunismo histórico” (expressão de Norberto Bobbio). Para os órfãos do comunismo, viver assim seria mau presságio. Para os apoteóticos da livre iniciativa, prosperidade. A terceira via não poderia deixar de lado que, ao final, de um canto a outro do mundo, todos nos tornamos herdeiros da revolução burguesa e de seus princípios de liberdade, igualdade e fraternidade. Acrescidos, no Século XX, com as causas dos direitos civis, étnicos e ambientais. Sobretudo, pelo reconhecimento das diferenças e aceitação de culturas comunitárias e tradicionais.</p>
<p>Tal como Theodor Adorno afirmou, depois do horror nazista, que Auschwitz não poderia se repetir, hoje, para qualquer reflexão, a exigência que o comunismo histórico não se repita é primordial. Se a análise de Marx do sistema capitalista permite entender as bases de formação de riqueza e acumulação de capital na sociedade industrial, não responde as evoluções e complexidades de quando a informação e o conhecimento se transformaram na base de riqueza, acumulação e democracia.</p>
<p>Da mesma maneira que mais mercado e menos Estado torna-se tirania econômica, menos mercado e mais Estado mostrou-se tirania política. Nos dois casos, persiste, fora de cena, a base que dá sustentação a Estados e mercados: a sociedade civil. O modelo idealizado por Antonio Gramsci – sociedade civil + sociedade política (Estado) = sociedade integral – não faz nenhum sentido ao reconhecer a sociedade civil frágil, desorganizada e pobre, mercê do Estado (e também do mercado – Gramsci, bolchevista com ressalvas, não incluiu o mercado, nem como instância autônoma, nem como parte da sociedade integral).</p>
<p>Não apenas o mercado deve ficar na berlinda. E o Estado contemporâneo, rico e embaraçosamente indisposto a cumprir as promessas de bem-estar social, seguridade e empregos para todos? Um agravante a mais, em países do terceiro mundo, economias instáveis e democracias controladas pela sociedade política, é a falsa crença na democracia e desrespeito com a alternância no poder. Não se pensa mais em partidos políticos e ideologias e sim na perda ou controle da máquina pública e da economia. No caso do Brasil, economia trilhonária. Deixar para outro grupo o controle de uma economia trilhonária ou bilionária simplesmente através da decisão pública faz os governantes resistirem cumprir o papel de passageiros temporários à frente do controle executivo das nações, sem se sentirem vaidosa e enlouquecidamente salvadores da pátria e do mundo. Resistem sair de cena e voltar à condição de cidadão.</p>
<p>Durante a metade final do Século XX, ideólogos do Estado benfeitor quiseram dar-lhe o papel de mediador de conflitos entre mercado e sociedade. Em países como Brasil, com ciclos econômicos de crescimento e recuo previsíveis e baixa poupança por pobreza da sociedade e riqueza do Estado, o Estado é o que mais tem conflitos com mercado e sociedade. A todo instante, tenta controlar um e outro com o objetivo único de se tornar mais forte. Nos países europeus, as instâncias democráticas e reguladoras deveriam ser administradas pela sociedade civil, para conter excessos do mercado e do Estado. Nos Estados Unidos, o laço Estado rico e mercado forte-global gerador de sociedade livre e abundante mostrou que precisa de instâncias sociais autônomas e fortes. Regulamentação do sistema financeiro e controle de armamentos não podem ser mediados por Estados e instâncias internacionais referendas pelos governos. Os Estados são os principais tomadores de empréstimos (criando uma projeção de dinheiro inexistente no futuro que cobrarão da sociedade), e compradores de armas (base dos intermináveis conflitos).</p>
<p>Seria interessante, de um encontro sobre a atualidade de Marx e da ideia do comunismo, que se escutasse o eco de suas palavras em O 18 Brumário de Luís Bonaparte: “Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses momentos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxílio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de apresentar-se nessa linguagem emprestada.” Insisto: é primordial, para a atualidade de algumas ideias de Karl Marx, a exigência que não se repita o modelo bolchevista e stalinista.</p>
<div id="attachment_511" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://mulherzinhanews.com/wp-content/uploads/2010/03/andreresende.jpg"><img class="size-medium wp-image-511" title="andreresende" src="http://mulherzinhanews.com/wp-content/uploads/2010/03/andreresende-300x102.jpg" alt="André Resende" width="300" height="102" /></a><p class="wp-caption-text">André Resende</p></div>
<p>* André Resende é escritor, ensaísta. Livros publicados: Mundo Enquadrado (ensaios), Amor Vário (romance), Quem disse sim (poesia), Maçã Caramelada (teatro), Quem sou eu (infantil), Uma coisa de cada vez (contos), Birdboy (romance). Atua como psicanalista e é membro da Intersecção Psicanalítica do Brasil, IPB.E-mail: andreresende@meios.com.br</p>
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		<title>Artigos: O lugar da psicanálise por André Resende</title>
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		<pubDate>Thu, 06 May 2010 23:49:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elaine</dc:creator>
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		<description><![CDATA[* Por André Resende
Por esses dias, na França, Freud esteve, ainda        mais uma vez, acossado. Fragmentos de sua vida privada e citações        elogiosas deixaram entender que seu lugar moral era falso. Também a        psicanálise [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>* Por André Resende</p>
<p>Por esses dias, na França, Freud esteve, ainda        mais uma vez, acossado. Fragmentos de sua vida privada e citações        elogiosas deixaram entender que seu lugar moral era falso. Também a        psicanálise fora citada. A proposta de desmonte teórico dizia que o índice        de cura da psicanálise aproxima-se de qualquer resultado com placebo,        trinta por cento. Conclusão: não cura.</p>
<p>É        verdade que a expressão cura está presente na “linguisteria” dos        psicanalistas. Quem sabe se não é para manter proximidade com a “área de        saúde”. Não poucas vezes, psicanalistas se referem e se anunciam “nós, da        área de saúde”. Se Freud quisesse ver, no futuro, a psicanálise associada        exclusivamente à “área de saúde” teria optado pelos Estados Unidos &#8211; para        onde todos os intelectuais seguiram -, ao sair da Áustria, não a        Inglaterra.</p>
<p>Hoje em dia, a medicina e a farmacologia        abandonaram a expressão cura e passaram a exaltar outra, tratamento. A        cura e os curandeiros ficaram para trás, na medicina, ou associada a xamãs        e pajés, nos povos tradicionais e culturas comunitárias. Nenhuma        prescrição médica dirá o caminho da cura, mas convocará o paciente a uma        jornada de melhoria da saúde, o tratamento. Os trabalhos científicos        dizem: x pessoas tratadas, não x pessoas curadas.</p>
<p>Tampouco as agências de vigilância        sanitária e órgãos reguladores e verificadores de medicamentos e saúde        aceitam, na bula e nas recomendações médicas, citações sobre evidências de        cura. Como o modelo quantitativo-comparativo é, em certo sentido, simples,        basta observar e apontar o resultado do tratamento associado a um número        de pessoas. Nas bulas, sabem-se dos mecanismos de ação, recomendações de        uso e suspensão, posologia e indicações de tratamento. Os antigos remédios        para “curar todo tipo de doença, dor e sofrimento” ou “curar os males de        útero de homem e de mulher”, se quiserem legalmente existir, precisam        submeter-se a estudos clínicos, comitê de ética.</p>
<p>Se a medicina, e em contínuo, as        atividades associadas à saúde, deixou para trás e para os nada científicos        a expressão cura, por que ainda há na psicanálise quem insista? Antes de        qualquer resposta do tipo porque tem teoria, práxis e clínica autônomas,        insiste porque acredita que possa curar o sujeito de algo e julga o        conceito mais eficaz ou adequado que tratamento. Quando em análise, no        entanto, o sujeito nunca está em tratamento, nem é paciente. Está em        andamento (e isso não é apenas uma brincadeira com as        palavras).</p>
<p>Na França, a psicanálise        integrou-se à saúde pública. Ganhou a saúde pública: acrescentou ao        serviço de quem cuida das pessoas a iniciativa de escutá-las angustiadas        em seus desejos. Ganhou a psicanálise, pois passou a levar a escuta dos        desejos à saúde pública, às pessoas que pedem cuidados da área de saúde.        Para assim ser, aceitou regras de atendimento associadas a práticas        médicas, tratamento com começo, meio e fim previstos. O retorno a um        momento pré-psicanalítico e a posição a um momento pós-fundamentos        psicanalíticos, no entanto, de alguma forma tirou o foco do objeto de        interesse da psicanálise, o desejo. Se a medicina e a psicologia podem        dizer genericamente, e todo mundo compreende e aceita, que seu objeto de        interesse é a pessoa, cuidar das pessoas, a psicanálise deve dizer que        escuta o sujeito, os entraves e fantasmas em torno do desejo do sujeito        que o impede de se mover.</p>
<p>Não há ciência ou campo do saber        infalível, superpostamente sabido para ter desvendado as incógnitas da        pulsão vida-e-morte dos sujeitos em sociedade. Depois de formados, a        maioria dos profissionais jamais retomará aos livros.</p>
<p>Nos casos de saúde,        estarão contentes com resumos sumários de estudos clínicos e informações        concisas de mecanismo de ação, posologia, efeitos colaterais e indicações        terapêuticas. A formação do psicanalista não cessa, desde a análise aos        grupos de estudos e produção de conteúdo.</p>
<p>Jacques        Lacan, na introdução aos quatro conceitos fundamentais da psicanálise,        chamou a atenção dos psicanalistas para o diálogo com a ciência e a        necessária relutância com a religião. Isto é, diálogo com aquela que cria        e avalia leis universais a partir de incógnitas e relutância com aquela        que estabelece dogmas para validar o impossível e o invisível como        mistérios.</p>
<p>Como em toda área de conhecimento e saber, há ordens que        acreditam não necessitar de novas leis e seguem tradições e liturgias        criadas em torno e a partir de palavras imperscrutáveis. Seria uma lástima        se a psicanálise caísse na armadilha. Trata-se, perguntou Lacan,        <em>”(&#8230;) de um fato muito surpreendente na história das ciências – o de        que Freud seria o primeiro, e permaneceria o único, nessa suposta ciência,        a ter introduzido conceitos fundamentais?”.</em></p>
<p>Em qualquer área de saber, o        movimento incógnita-e-mistério, seja diálogo ou conflito, ressalta a        máxima cada um aprende e exerce do seu jeito. A História não se deu        tão-somente por armas, guerras, germes e carne assada.</p>
<p>Cuidar das pessoas        tem sido determinante para ajustar o conceito de evolução social e da        espécie. A descoberta de como os desejos estão associados à linguagem e ao        fato de termos memória de longa duração – vivida e a viver, lembrada e        esquecida – tem pouco mais de um século. Boa parte das áreas de saber com        as quais a psicanálise dialoga ou pode vir dialogar – neurociência,        semiótica, linguística,&#8230; – ainda está em formação.</p>
<p>É admirável que a psicanálise, como        formação e exercício, esteja próxima da área de saúde, linguagem, signos,        matemáticas e comportamento. É prova que tenta mover-se fora de dogmas.        Provavelmente, comete equívocos de objeto de interesse ao abrir-se ao        diálogo. Mas, associado à área de saúde ou à linguagem, deve reconhecer        que a psicanálise é da área da psicanálise.</p>
<p>A todo tempo, aqueles em lugar de        mitos e semi-divindades serão chamados a público para confrontar se o que        pensaram e disseram está em conformidade com suas ações e modo de vida. Ou        se sua vida e atos foram vividos à luz do que pensaram ou disseram. Cinco        deles estão sempre na condição de eternos suspeitos, acossados: Galileu        Galilei, Charles Darwin, Karl Marx, Sigmund Freud e Albert        Einstein.</p>
<div id="attachment_511" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://mulherzinhanews.com/wp-content/uploads/2010/03/andreresende.jpg"><img class="size-medium wp-image-511" title="andreresende" src="http://mulherzinhanews.com/wp-content/uploads/2010/03/andreresende-300x102.jpg" alt="André Resende" width="300" height="102" /></a><p class="wp-caption-text">André Resende</p></div>
<p>André Resende é escritor,        ensaísta. Livros publicados: Mundo Enquadrado (ensaios), Amor Vário        (romance), Quem disse sim (poesia), Maçã Caramelada (teatro), Quem sou eu        (infantil), Uma coisa de cada vez (contos), Birdboy (romance). Atua como        psicanalista e é membro da Intersecção Psicanalítica do Brasil,        IPB.E-mail: <a href="mailto:andreresende@meios.com.br" target="_blank">andreresende@meios.com.br</a></p>
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		<title>Artigos: Chegou a hora?</title>
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		<pubDate>Sat, 01 May 2010 22:09:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elaine</dc:creator>
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		<description><![CDATA[* Por André Resende
Com distância de meses da exibição nos cinemas, assisti Avatar. Em casa. Não havia como me ocupar com efeitos visuais. Pelado de tudo isso, descontadas as citações e referências históricas e culturais americanas, resta, e não é pouco, mais uma mensagem sobre o contínuo processo de exploração do planeta. Não sabemos bem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>* Por André Resende</p>
<p>Com distância de meses da exibição nos cinemas, assisti Avatar. Em casa. Não havia como me ocupar com efeitos visuais. Pelado de tudo isso, descontadas as citações e referências históricas e culturais americanas, resta, e não é pouco, mais uma mensagem sobre o contínuo processo de exploração do planeta. Não sabemos bem qual é o valor de uso do minério em baixo da árvore mãe que a expedição extrativista e exploradora encontrou no planeta Pandora. Sabemos o valor de troca na Terra &#8211; o quilo vale tanto quanto, hoje, valem certas matérias-primas químicas usadas em medicamentos.</p>
<p>Por uma citação, sabemos que não há mais verde na Terra. Pela apoteose tecnológica, sabemos que, enfim, a navegação imago cibernética informacional do toque ampliou-se e tornou-se realidade, com mapas tridimensionais de acompanhamento instantâneo dos satélites que rastreiam atividades no ar, movimentos, calor dos corpos e no subsolo.</p>
<p>Depois de tudo isso, e a todo momento, mais uma vez a questão é: chegou a hora? Dá para suspender o modelo de evolução em curso? Governos, trabalhadores e corporações dizem que não. Os países resistem diminuir a emissão de gases, conterem o industrialismo. Não há nação ou Estado hoje que não se porte omisso ou estupefato com o teorema das proporções e pêndulos das riquezas sustentáveis, diminuição dos processos de desenvolvimento econômico, emprego, renda e um modelo de evolução da sociedade. Haveria milhões, a mais, de sem nada das coisas brutas e essenciais à sobrevivência. As finas e espirituais &#8211; confortos civilizatórios e tecnológicos &#8211; promessas de Estados e empresas, é isso aí, movem as ciências.</p>
<p>Em Avatar há uma alegoria com as raízes das árvores. Por baixo da terra, comunicam-se umas às outras, como os neurônios, criando sinapses. Cada vez que uma é morta, cessa parte do que alimenta a vida. Nos seres vivos da Terra, quanto mais neurônios “e mais complexos seus padrões de interconexão”, mais ampla é “a capacidade para diferentes tipos de aprendizado”. Cada neurônio estabelece cerca de mil “conexões com outros neurônios, em junções conectivas especializadas chamadas de sinapses”. Isto é, 1oo trilhões de conexões sinápticas. É a nossa capacidade de memória. De vida. (Memória, Larry Squire e Eric Kandel). Os seres de Pandora se conectam às plantas e aos animais, como nas mais crentes e intensas ilusões esperamos que, um dia, tenha acontecido conosco e, em dia próximo, volte a nos acontecer.</p>
<p>Incluir projeto assim à vida cotidiana é pensar como viver no mesmo ambiente de modo diferente. É possível, não simples, criar cisternas nas casas e apartamentos urbanos para recolher água da chuva, tratá-la de modo igualmente possível e aproveitá-la para uso em plantas e vasos sanitários. Não é de hoje que não sabemos para onde vai o cocô e o xixi que fazemos todo dia. O mesmo se pode dizer de transformar folhas em adubo. Ou separar lixo doméstico, não colocar óleos queimados pelo ralo da pia, nem jogar baterias no lixo doméstico, Sabemos que, de algum jeito, esses atos afetarão, negativamente, a todos.</p>
<p>No filme Teoria da Conspiração (Conspiracy Theory), um taxista percebe, pela leitura de jornais, coincidência entre naves enviadas para fora da Terra, testes nucleares e calamidades naturais e artificiais. Nâo é isso que faz a ciência? Encontra elementos aleatórios, classifica-os por linhagem ou parentesco e procura, no modo de atuação, padrões em comum que confirmem sistematização e universalidade em processo quantitativo? O resto do filme não é nada. Fique apenas com esse extrato para pensar.</p>
<p>Durante décadas a França fez testes nucleares na Polinésia, com impacto para o fundo do mar. URSS, Estados Unidos, Coreia do Norte, Paquistão, nos desertos. O impacto em uma banda do planeta repercute no lugar, nos lugares próximos e do outro lado. Há milhões de carros. Quarenta mil voos diários. Satélites circulam o planeta. Sem os subproletários da China e minérios do terceiro mundo para as placas de sistema, haveria como propor o uso intensivo e extensivo de tecnologia da informação na sociedade da informação e do conhecimento?</p>
<p>Chegou a hora, mas não é fácil tamanha simplificação e reconciliação com a natureza. Esperamos ação dos Estados. Receberemos omissões corriqueiras e estupefações intrínsecas. A ciência espera substituir o ruim e sujo pelo bom e limpo. Ciência não é ação desinteressada, alheia às necessidades e possibilidades de produção. Talvez seja mais fácil começar por coisinhas pessoais e domésticas. Não é seguro acreditar que bastem.</p>
<div id="attachment_511" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://mulherzinhanews.com/wp-content/uploads/2010/03/andreresende.jpg"><img class="size-medium wp-image-511" title="andreresende" src="http://mulherzinhanews.com/wp-content/uploads/2010/03/andreresende-300x102.jpg" alt="André Resende" width="300" height="102" /></a><p class="wp-caption-text">André Resende</p></div>
<p>André Resende é escritor, ensaísta. Livros publicados: Mundo Enquadrado (ensaios), Amor Vário (romance), Quem disse sim (poesia), Maçã Caramelada (teatro), Quem sou eu (infantil), Uma coisa de cada vez (contos), Birdboy (romance). Atua como psicanalista e é membro da Intersecção Psicanalítica do Brasil, IPB.E-mail: andreresende@meios.com.br</p>
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		<title>TERAPIA VIA INTERNET POR THALINE QUATRINI CORREA</title>
		<link>http://mulherzinhanews.com/2009/12/terapia-via-internet-por-thaline-quatrini-correa/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Dec 2009 12:37:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elaine</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Internet]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
		<category><![CDATA[terapia]]></category>

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		<description><![CDATA[Com o acelerado desenvolvimento da sociedade pós-moderna, os meios de comunicação tornaram-se indispensáveis para nossa sobrevivência.
Celulares, ipods, handhelps, computadores, laptops, internet, etc., facilitam a circulação de informação e diminuem significativamente as distâncias e conseqüentemente aceleram o tempo.
Tais características contemporâneas de sociedades capitalistas são encontradas em qualquer área de atuação profissional. A exemplo, um administrador, ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com o acelerado desenvolvimento da sociedade pós-moderna, os meios de comunicação tornaram-se indispensáveis para nossa sobrevivência.</p>
<p>Celulares, ipods, handhelps, computadores, laptops, internet, etc., facilitam a circulação de informação e diminuem significativamente as distâncias e conseqüentemente aceleram o tempo.</p>
<p>Tais características contemporâneas de sociedades capitalistas são encontradas em qualquer área de atuação profissional. A exemplo, um administrador, ou um professor, engenheiro, físico, matemático, enfim, qualquer profissional utiliza dessas tecnologias como meio de trabalho e são ferramentas indispensáveis.</p>
<p>Nós psicólogos, porém, utilizamos essas ferramentas tecnológicas como apoio, ou seja, para realização de pesquisas, trabalhos, meios de comunicação e informação. Tais instrumentos não são prioridades à atuação clínica psicológica.</p>
<p>O Conselho Federal de Psicologia publicou em 25 de Setembro de 2000 que o atendimento psicológico mediado pelo computador é válido em pesquisas.</p>
<p>A Resolução nº 003/2000 regulamenta o atendimento psicoterápico por meio de computador. Porém este só pode ser feito em pesquisas, seguindo-se as recomendações de sigilo à identidade do participante, como estabelecido no Código de Ética Profissional do Psicólogo. Tais experimentos deverão ser acompanhados e fiscalizados durante cinco anos pela Comissão Nacional.</p>
<p>Atendimentos psicológicos visam, além do conteúdo a ser trabalhado, o contato humano, &#8220;ao vivo e a cores&#8221;, os comportamentos, as falas conexas ou não, os olhares, os gestos, a respiração, os comportamentos e reações, que também são características terapêuticas primordiais e, se feito através de vias informatizadas, essas qualidades se perdem e não são observadas.</p>
<p>Sabemos que a psicologia, assim como outras profissões também foi afetada com as características do mundo pós-moderno.</p>
<p>Com este novo universo também vieram problemas contemporâneos, como estresse, depressões, angústias, compulsões por compra, por comida, e principalmente um grande vazio, no qual se tenta preencher com produtos e objetos, ou seja, consumindo os espaços que deveriam ser preenchidos por contato humano, carinho, atenção e compreensão.</p>
<p>Para tanto, a psicologia se adequou a trabalhar neste perfil socioeconômico e cultural, com práticas atuais que privilegiam o tempo e o dinamismo nas relações. Através das terapias breves e abordagens comportamentais cognitivas que focam um dado evento e tem duração determinada, há em seus contextos terapêuticos certas características da sociedade atual, como a rapidez e agilidade na resolução de conflitos.</p>
<p>Assim, a psicologia ainda mantém suas características originais nos atendimentos terapêuticos, como a preparação do setting adequado, o terapeuta disposto e empático, o contato através da fala, observação dos movimentos, enfim, tem-se neste ambiente terapêutico o ser humano como um todo. Porém, há também características que nossa sociedade impôs como importantes, tais como comodidade e facilidade em &#8220;acessar&#8221; o terapeuta, e a psicologia não poderia deixar de considerá-las.</p>
<p>Pensar eticamente em terapia via internet faz-se necessário, contudo, é preciso considerar modificações dos paradigmas até então utilizados, obter e criar novas formas de percepção e atuação.</p>
<p>Thaline Quatrini Correa<br />
Psicóloga &#8211; CRP 06/94723<br />
Contato: thaline_qc@yahoo.com.br</p>
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